A Comunicação Não violenta (CNV) conhecida é um processo movido por sua capacidade de inspirar ação compassiva e solidária. Ensinada a mais de 40 anos por uma Rede mundial de mediadores e facilitadores, fundada pelo psicólogo Drº Marshall Rosenberg, a CNV está sendo utilizada em um nível da sociedade por um crescente número de pessoas que desejam intervir e agir com meios práticos e eficazes em favor da PAZ.

Em escolas a CNV é reconhecida pelo Ministério da Educação da Itália, em Israel faz parte do programa do Ministério da Educação pela prevenção da Violência e é aplicada em creches, na Inglaterra, os EUA e Dinamarca e outros países é cada vez mais adotada, da Educação Infantil até Universidades; e em parceria com UNICEF, na Sérvia, está presente em todas as escolas de 2º grau. Em penitenciárias nos Estados Unidos e no Reino Unido a CNV faz programas para presos e guardas e é cada vez mais utilizada no processo da reintegração de ex-presos. Psicólogos e agentes comunitários usam a CNV em reconciliação e no processo de recuperação depois de trauma e dependência. Na Gestão Pública de governos federais, estaduais e municipais a CNV é empregada em vários países, tanto na comunicação interna como em projetos com o público. Grupos religiosos, aprendem e ensinam e mediam disputas usando a CNV, em comunidades cristãs, muçulmanas, budistas e judeus. A CNV está sendo usada por médicos, enfermeiros e administradores como potente recurso no processo de reumanizar o setor. No mundo empresarial a CNV abre caminho para inovações em equipes, em relações públicas, atendimento de clientes, e programas de cultura de paz internos e sociais. Indivíduos e grupos usam a CNV na mediação de conflitos em algumas áreas mais violentas do mundo, muitas vezes evitando a atenção da Mídia. Grupos agindo pela justiça humana e ambiental incluem a CNV na metodologia interna e nos seus projetos em mais de, como 35 países.

Talvez mais potente de que tudo isso, cidadãos usam a CNV como um guia nas suas vidas familiares e comunitárias, fornecendo as condições necessárias para que diferenças sejam respeitadas e recursos compartilhados pacificamente. Nesta maneira eles contribuem para uma mudança fundamental na relação entre pessoas e na visão que temos de nosso mundo, que antes não passávamos além do gerenciamento do conflito.

Rumo a desenvolver a consciência espiritual, competência pessoal, convivência compassiva e habilidade gerencial necessária para possibilitar sistemas sociais e interações pacíficas, seguras, justas e amorosas a favor da vida. do Centro

“A Comunicação Não Violenta, além de ser uma via de autoconhecimento, é um instrumento eficiente e mais do que oportuno para capacitar aqueles que… comprometidos para a implementação de uma cultura de Paz… visam se auto educar para restabelecer a confiança mútua entre pessoas, instituições, povos e nações.” Lia Diskin. Fundadora da Associação Pala Athenas – São Paulo.

A Comunicação Não Violenta foi desenvolvida por Marshall Rosenberg, doutor em psicologia clínica, mediador internacional e fundador do Centro Internacional de Comunicação Não Violenta.

A CNV parte da observação de que a crescente violência que nos cerca e na qual estamos inseridos é reflexo de uma lógica de ação e relação divorciada de nossos verdadeiros valores. Através de uma série de distinções precisas, a CNV revela como as formas culturais predominantes de nos comunicar, com nós mesmos e com os outros, levam-nos a entrar em choque com colegas, familiares e pessoas com opiniões ou de culturas diferentes, e assim iniciar ciclos de emoções dolorosos.

Eminentemente prática, a CNV oferece alternativas claras aos confrontos em que ficamos presos e a lógica destrutiva de raiva, punição e vergonha e culpa.

Está no coração da Comunicação Não Violenta a dinâmica que dá fundamento a cooperação e a harmonia – nós seres humanos agimos para atender necessidades, princípios e valores básicos universais. Com a consciência que esta constatação nos fornece, passamos a enxergar a mensagem por trás das palavras e ações dos outros, e de nós mesmos, independentemente de como são comunicadas. Assim as críticas pessoais, rótulos e julgamentos dos outros, seus atos de violência física, verbal ou social, são revelados como expressões trágicas de necessidades não atendidas.

Além de uma abordagem de clareza e mediação pessoal, a CNV possibilita mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas (gestão de grupos e organizações) e na questão de responsabilidade, diminuindo a chance de agressões ou dinâmicas de grupos opressores.

A Comunicação Não Violenta – CNV foi usada primeiramente em projetos federais do governo americano a fim de integrar de forma pacifica escolas e instituições públicas durante os anos sessenta. Ao longo dos últimos 40 anos, o drº Rosenberg e sua equipe criaram sistemas de apoio a vida nas relações intra e interpessoais, com administradores escolares, professores, professores, profissionais de saúde, mediadores, gerentes de empresas, detentos e guardas, policiais, líderes religiosos judeus cristãos, budistas e muçulmanos, autoridades governamentais em muitos países.

No Brasil, a CNV Brasil apoia o aprendizado de CNV com o auxílio de Dominic Barter, membro da equipe do Drº Rosenberg e coordenador do Projeto de Língua Portuguesa do Centro Internacional de Comunicação Não Violenta.

A CNV Brasil é formada em rede como uma comunidade de aprendizado. Ela valoriza a capacidade que todos têm de contribuir para a educação de outros e destaca a interdependência do saber e fazer no processo de co-aprendizado. Assim reflete os valores que dissemina.

O poder da Atitude Pacífica – A criação vive e desenvolve com todos os ângulos e as arestas do vir-a-ser, como todos os contragolpes, todos os abalos e todos os ganhos. Aquilo que não realizarmos hoje, em termos de possibilidade de paz, será um fardo insuportável para as gerações futuras. Aquilo que hoje já vivemos no espírito de não- violência abre para os que virão depois de nós um terreno de opções em que se apoiar. Cada ato pacífico, cada reconciliação, cada ação criadora empreendida no espírito do amor gera novas possibilidades para o campo invisível do futuro. De certo modo, nós criamos – no sentido dos campos morfogênicos descritos Rupert Sheldrake – Superfícies de ressonância para a ação futura; nós estendemos os fios que hão de ser tecidos. Quanto mais sentirmos, pensamos e agirmos no espírito de não- violência, tanto maiores serão os resultados. Além disso, os campos de ressonância de vida franca, delicada e pacifica mostrar-se-ão – em termos de íons – os mais fortes, pois eles que possibilitam e conservam a vida, são eles que domam o caos e dão origem ás formas do belo e do bom.

Sem dúvida, perseguir os grandes sonhos da paz, da reconciliação, de ser uma coisa só com a vida e da proximidade imediata de Deus também significa tolerar a loucura e até bancar o tolo no palco da “normalidade”. Mas há de valer a pena no fim do terceiro milênio, quem sabe, for possível dizer: “Lá se vai o tempo em que se aceitavam as guerras para alcançar objetivos políticos ou econômicos. Lá se foi o tempo em que se encaravam os assassinos como “heróis “ e assassinatos como a “arte da guerra”. Lá se foi o tempo em que o homem desprezava a vida alheia para obter vantagens a curto prazo. Lá se foi o tempo em que o homem desprezava a vida alheia para obter vantagens a curto prazo. Lá se foi o tempo em que os homens se opunham uns aos outros e impediam a busca do divino, mesmo do próprio homem.

A rede é autossustentada e aberta a todos num espírito de livre troca. Participação independente de formação prévia ou acesso a recursos materiais.

Para saber mais sobre a CNV no mundo, leia o livro do Drº Rosenberg, “Comunicação Não Violenta: Uma linguagem da vida”. Avalizado por Willian Ury, Riane Eisler, Leonardo Boff, Arun Gandhi, John Gray, Pierre Weil, Deepak Chopra, entre outros em muitos países e idiomas, foi lançado no Brasil em 2005 pela editora Ágora.

Artigo escrito pela Cleci Marchioro, diretora da Rede Crescer DH.

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